sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Cartas de Controle parte 1

Cartas de Controle
Devido a extensão do tema Carta de Controle, este artigo será dividido em quatro partes.
Cartas de Controle ou Gráficos de Controle como são conhecidos, são ferramentas que auxiliam a manutenção e ou melhoria do processo, informando constantemente a variabilidade do processo e podendo detectar e caracterizar possíveis causas de instabilidade do processo.
Segundo Montgomery, 2003 “É impraticável inspecionar qualidade em um produto; o produto tem de ser construído corretamente já na primeira vez. O processo de fabricação tem, por conseguinte, de ser estável ou capaz de ser repetido e capaz de operar com pouca variabilidade ao redor do alvo ou dimensão nominal.” ou seja, o processo precisa ser estável para que se tenha todos os produtos de primeira qualidade, então precisamos manter o processo em dia ao invés de focar nas peças pois um processo estável produz peças de qualidade elevada sempre.
O Gráfico de Controle mede a instabilidade do processo, e se este estiver sob controle, ou seja, apenas com sua variabilidade natural ou “ruído de fundo” este está sob controle e todos os pontos do gráfico estão variando dentro dos limites da carta. Esta ferramenta obrigatoriamente deve ser controlada em tempo real, pois diferente do Histograma, que depende de grupos de dados para se formar, o Gráfico de Controle avalia ponto a ponto, ou dado a dado que é lançado no mesmo e quando um dado cai fora dos limites do gráfico, este deve ser avaliado o quanto antes pois, pode ser um lote de matéria prima de baixa qualidade e que deve ser avaliado na hora, pois se os dados forem lançado somente no outro dia não se pode saber se foi a matéria prima, o operador, um pico de energia ou outro fator qualquer.
O pontos da carta de controle deve se comportar de forma aleatória em torno da linha central da carta, se os pontos da carta apresentarem algum tipo de comportamento sistemático ou não aleatório, mesmo que os pontos estejam dentro dos limites da carta, deve-se verificar o processo pois este pode estar começando a apresentar certa tendência que possivelmente levará a problemas futuros, por exemplo, se 10 dos últimos 12 dados estiverem do mesmo lado da linha central, isso pode representar uma falta de calibração do equipamento, ou uma necessidade de ajuste em algum ponto do processo, daí a importância do Fluxograma de Processo falado anteriormente, pois geralmente pode se ter uma idéia de onde vem o problema partindo do Fluxograma.
Um gráfico de controle deve conter as seguintes linhas:
  • LC: Linha Central;
  • LSC: Limite Superior de Controle
  • LIC: Limite Inferior de Controle
  • LSA: Limite superior de alerta
  • LIA: Limite inferior de alerta
O gráfico mostra também a linha valor teórico, essa linha está ai somente de maneira ilustrativa pois um gráfico somente utiliza a linha central que pode ser um valor teórico ou uma média de valores do processo. Repare também que existe um ponto fora dos limites de controle, esse ponto indica que em algum ponto do processo algo deu errado e deve ser investigado para ver se trata-se de um erro externo ou se é um problema no processo. Geralmente quando é um erro externo como falha do operador, queda de energia ou outro fator qualquer a anomalia é tratada como qualquer outra porém, não se tem muito o que fazer  em função do problema ser algo que muitas vezes está fora do nosso controle, agora se esse ponto representasse uma variação do processo, ai o problema deve ser investigado para encontrarmos a raiz do problema.
A primeira carta de controle foi proposta por Walter A. Shewhart, o gráfico utilizava apenas um Limite Superior Controle e um Limite Inferior de Controle, com a linha central sendo o média doa valores encontrados. Essa carta é utilizada até hoje e é conhecida como Gráfico de Controle de Shewhart.
Existem diversas razões para a grande popularidade das Cartas de Controle, e algumas delas são:

  • As cartas de controle são uma melhoria comprovada para melhoria da produtividade;
  • As cartas são efetivas na prevenção de defeitos;
  • As cartas previnem ajustes desnecessários nos equipamentos;
  • As cartas fornecem informação sobre diagnóstico;
  • As cartas fornecem informações sobre a capacidade do processo;


Continua na postagem da próxima semana.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Fluxograma de Processo



Fluxograma de Processo

“Uma fotografia vale mais que mil palavras”. Se pudéssemos modificar este antigo provérbio e ampliá-lo um pouco para cobrir os processos nas organizações, ele poderia ser escrito assim: “Um fluxograma vale mais do que mil palavras”. (Aildefonso, 2006)

O Fluxograma é uma ferramenta indispensável para mapear e entender o funcionamento do processo e a ligação entre diferentes processos.
Fluxogramas são indicações do passo a passo do processo para que possamos entendê-lo, melhorá-lo ou mesmo alterá-lo de modo a facilitar o entendimento e a visualização do mesmo. O Fluxograma nos dá a quantidade de etapas percorrida por um produto durante sua produção, como o trabalho flui pelos colaboradores, entre outras coisas.
Os diagramas são elaborados basicamente com símbolos de fácil identificação, para que as etapas do processo sejam prontamente entendidas, ou seja, saber onde é ponto de decisão, inicio, fim, etapa, preparo, manufatura, fluxo, etc. A Figura 1 mostra alguns símbolos que representam o processo: 

Figura 1: Simbologia utilizada na construção de Fluxogramas
 Fonte: SEBRAE, 2005  
O Fluxograma de Processo pode ser utilizado por qualquer organização e em qualquer tipo de processo, por isso existem diversos tipos de fluxogramas para as mais diversas aplicações:
Fluxograma de Blocos ou Diagrama de Blocos: é um fluxograma genérico, sem muita complexidade ou explicação, ele demonstra o processo de maneira simples e lógica.
Fluxograma Vertical ou de Trabalho: utilizado para descrever a rotina de trabalho num determinado setor. É muito utilizado para trabalhos de levantamentos de dados.
Fluxograma administrativo ou de rotinas de trabalho: Muito utilizado na análise e racionalização de fluxo de formulários. É semelhante ao Fluxograma Vertical porém muito mais detalhado, e por isso pode ser subdividido em fluxos mais simples.
Fluxograma Global, de Colunas ou Horizontal: é utilizado na exposição de esquemas ou rotinas sem muita explicação pois as etapas são auto explicativas, e não necessariamente utiliza os símbolos mostrados na Figura 1, pode utilizar imagens ou figuras que representam as etapas do processo já que este tipo de fluxograma deve ser auto explicativo.
Algumas vezes a complexidade do processo não permite mapeá-lo por completo e é necessário dividi-lo em diversos pequenos fluxogramas que devem ser interligados.

Abaixo temos um exemplo de Fluxograma de Blocos de uma empresa de Laminação de PVC.

Figura 2: Fluxograma do processo de Laminação de PVC


Como descrever um processo
Descrição de processo existente:
  • Identificar o início e o fim do processo;
  • Observar todo o processo do início ao fim;
  • Definir todas as etapas do processo;
  • Elaborar um rascunho do fluxograma;
  • Analisar criticamente o rascunho com todos os envolvidos;
  • Melhorar o rascunho de acordo com a análise crítica;
  • Comparar o fluxograma com o processo real;
  • Datar o diagrama para futuras referencias e utilizações;
Descrição de um novo processo :
  • Identificar o início e o fim do processo;
  • Visualizar as etapas a serem realizadas no processo (atividades, decisões, entradas e saídas);
  • Definir as etapas do processo;
  • Elaborar um rascunho do fluxograma;
  • Analisar criticamente o fluxograma com as pessoas envolvidas no processo;
  • Melhorar o rascunho baseado na análise crítica;
  • Datar o diagrama para futuras referências e utilizações.
Mas a real utilidade do fluxograma é entender o processo, isso porque o processo muda lentamente e sua complexidade vai aumentando e gerando acúmulo de tarefas desnecessárias que geram uma queda da produtividade global do processo. Com o fluxograma básico composto de suas principais etapas e sub-etapas nas mãos devemos nos perguntar: “Onde estamos nos desviando do caminho?” ou “qual o motivo de nos desviarmos do caminho?”, e a partir daí podemos determinar diversos parâmetros como quais etapas são desnecessárias, quais nos levam a ter problemas ou potencias problemas.

Colocando em prática
Todo fluxograma é baseado num processo, logo para construir um fluxograma deve-se conhecer minimamente o processo ou ser auxiliado por quem conhece o mesmo. Portanto vamos a algumas dicas de como construir um fluxograma:
Durante a construção do fluxograma é sempre bom ter alguém para ajudar pois é um trabalho complexo, e algumas vezes sub-etapas importantes passam despercebidas.
Peça ajuda de pessoas de todos os níveis da organização, líderes, operadores, gerentes, etc. Cada um vai mostrar a parte que ele vê e entende do processo, e a junção de todos esses conhecimentos vai fazer o fluxograma mais completo, porém, cuidado para não se atropelar com muitas etapas e nem deixar o fluxogramas mais complexo que o processo.
Cuidado com pessoas que “sabem tudo”, essas pessoas podem estar querendo impressionar ou fingir que entendem do assunto porque estão sempre passando por todos os setores da fábrica, então tenha em mente que cada um entende bem do seu próprio setor, e o líder entende bem a fábrica em geral mas não cada setor individualmente.
Com isso basta te ajuda das pessoas certas de cada área que o fluxograma estarácorreto e sucinto.

Referencia
JATOBÁ, Paulo César. As Ferramentas da qualidade - Aprendendo a aplicar para solucionar problemas: BANAS, 2004. Disponível em <www.banasqualidade.com.br>. Acesso em 12/08/2013 as 09:40.

KANAMURA, Alberto Hideki; NETO, Gonzalo Vecina; ARAKI, Paulinho Shiguer; MALIK, Ana Maria. Manual do Programa de Gestão da Qualidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo: 2002. Disponível em < http://portalses.saude.sc.gov.br/arquivos/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/ed_03/pdf/07_01.pdf >. Acesso em 09/07/2013 as 07:35.

Ferramentas da Qualidade: SEBRAE, 2005. Disponível em: < http://www.dequi.eel.usp.br/~barcza/FerramentasDaQualidadeSEBRAE.pdf>. Acesso em: 12/08/2013, 10:18.

Aildefonso, Edson C. Ferramentas da Qualidade: CEFETES, 2006. Disponível em: <ftp://ftp.cefetes.br/cursos/CodigosLinguagens/EAildefonso/FERRAMENTAS%20da%20QUALIDADE%20I.pdf>. Acesso em: 12/08/2013, 16:40.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Histograma

Histogramas
O histograma é um gráfico de barras que mostra a variação de uma medida em um grupo de dados através da distribuição de freqüência. (JATOBÁ, 2004)
Em outras palavras é um gráfico onde a amostra de dados é agrupada em pequenas faixas de valores, e essas faixas são colocadas lado a lado em um gráfico de barras para representar em que faixa o evento ocorre com maior freqüência. Esse gráfico foi proposto por Guerry em 1833, quando ele queria analisar dados sobre crimes, e desde então o histograma tem sido utilizado nas mais diversas áreas.
As aplicações do histogramas são:
  • Apresentar um padrão de variação;
  • Comunicar visualmente a informação sobre o comportamento do processo;
  • Decidir onde devem ser concentrados os esforços para a melhoria;
  • Determinar a dispersão dos valores.

Gráfico 1: Modelo de histograma
Fonte: Kanamura, 2002

Quanto mais alto forem os picos do histograma, maior a freqüência do evento naquele intervalo, e o gráfico pode resultar em diversas formas como mostrado no Gráfico 2. É possível repara que os histogramas geralmente possuem seu maior pico no centro do gráfico, isso é devido ao gráfico muitas vezes ser utilizado para demonstrar, por exemplo, a medida de uma peça em que o diâmetro deve ser de 42 cm, porém, a peças saem tanto com 36 cm quanto com 49 cm, e isso gera um gráfico nesse formado quando o processo está sob controle, pois quanto mais distante do valor desejado, menor a freqüência e consequentemente menor o pico. Mas se num caso como o exemplificado acima, o maior pico estiver próximo das margens do gráfico, com 46cm por exemplo, significa que o processo necessita melhora.

Gráfico 2: Tipos de Histogramas
Fonte: Jatobá, 2004

Construção do histograma
Primeiramente, como todos os outros levantamento deve-se planejar como será construído o histograma e entender plenamente os conceitos de amplitude (R), classe (K), freqüência de classe, média e desvio padrão, então vamos resumir o que é cada um desses:

Amplitude (R): Variação entre a maior e o menor valor da amostra;
Classe (K): é a quantidade de intervalos em que a amostra será dividida, e representa as barras do histograma;
Freqüência de classe: A quantidade de que estão no intervalo de cada classe;
Média: Média dos valores da amostra;
Desvio Padrão: o quanto os valores se desviam da média ou do valor padrão.
Como exemplo iremos construir o gráfico baseado nos dados apresentados a seguir:

Tabela 1: Dados fictícios para histograma
Intervalo de dados
4
7
12
21
27
18
12
0,5
20
8,5
18
26
3
7
4
9
10
11
1,5
12
8
8
2
13
34,5
12
7
10
5
5
25
16
9
27
19
16
21
13
7
10
5,5
2
16
8
7
2
3
4
12
18
7
1
4
8
5
6
1
5
2
0,5
Baseado na Tabela 1, iremos definir agora a amplitude (R) da nossa amostra que é o maior valor subtraindo o menor valor:
R = maior valor – menor valor è 34,5 – 0,5 è R = 34,0
Agora que já temos nossa amplitude precisamos determinar o número de classes (K). O número de classes pode ser determinado pela raiz quadrada de n (tamanho amostra), que no nosso caso é 60:
K = √60 = 7,7 (Aproximadamente 8)
Mas é comum o uso de tabelas para a determinação de K como exibido na Tabela 2:

Tabela 2: Tabela para valores de K

Como podemos ver, o valor de K para n=60 é entre 6 e 10, logo, o valor encontrado está dentro da tabela e portanto está correto.
Para determinarmos o intervalo de cada classe basta dividirmos a amplitude pelo número de classes como a seguir:
H = R / K = 34 / 8 è H = 4,25
O valor é aproximadamente 4.
Agora devemos determinar os limites das classes. Para determinarmos os limites devemos pegar o menor valor da nossa amostra e somar o valor de H, no nosso caso o menor valor é 0,5 mas podemos considerar 0, assim a primeira classes será de 0 a 4. A próxima classe deve tomar a valor superior da outra classe como valor inferior e somar 4, assim sendo teremos 4 + 4 = 8, ou seja, a próxima classe terá um intervalo de 4 a 8, e assim sucessivamente.
Mas temos um inconveniente acima, o valor 4 irá entrar na primeira classe, na segunda classe ou em ambas as classes? Com certeza ele não poderá entrar nas duas classes logo, o que geralmente é feito, é determinar que a primeira classe receberá valores de zero até valores menores que quatro, ou seja, de 0 a 3,999999 e a próxima classe de 4 a 7,999999 e assim por diante até chegarmos a uma classe que comporte a maior valor do intervalo. Na Tabela 3 podemos ver como as classes ficarão:

Tabela 3: Intervalos e Frequência do Histograma terminado
Faixa do Histograma
Bloco
Freqüência
3,9
3,9
11
7,9
7,9
16
11,9
11,9
11
15,9
15,9
7
19,9
19,9
7
23,9
23,9
3
27,9
27,9
4
31,9
31,9
0
35,9
35,9
1

Com isso basta criarmos o gráfico e analisarmos como os dados se distribuem no histograma.

Gráfico 3: Histograma completo com os dados da Tabela 3

Com o gráfico podemos observar de maneira clara que o intervalo de 4 a 7,9 o evento se repete 16 vezes, isso significa que se quiséssemos medir o real diâmetro de uma peça, ele seria, na maior parte da vezes entre 4 e 7,9 cm por exemplo, mas que se repete muitas vezes fora da faixa, e talvez o processo necessite de melhora.
Podemos verificar também nesse gráfico, que ele possui uma classe sem nenhum evento, isso significa que nosso arredondamento para 8 no número de classes foi equivocado e que deveríamos ter utilizado apenas sete classes.

Erros mais frequentes
  • Desconfie de Histogramas que possuam classes muito altas nas margens;
  • Nem todos os histogramas tem um pico no meio, alguns podem ter picos nas laterais, como um histograma da quantidade de fraldas utilizadas por um bebê, provavelmente nesse caso o maior pico é no início;
  • Classes sem eventos;
  • Dois picos de alta frequência geralmente representam erros, seja na separação das frequências, seja no planejamento do histograma.


Colocando em prática
Deve se ter muita atenção no momento de colocar cada evento dentro de sua classe quando o processo for realizado de maneira manual pois erros são muito frequentes nesses casos.
Cuidados básicos devem ser tomados, e além do cuidado mencionado no parágrafo acima, deve-se esclarecer o pessoal da produção assim como na Folha de Verificação para que o processo ocorra de maneira normal e representativa.
O MS Excel 2007 é uma ótima ferramenta para a criação automática do Histograma, na aba Dados, opção Análise de Dados. Basta adicionar os dados da amostra e os intervalos das classes que ele fará a distribuição dos dados amostrais dentro das classes e com isso bastará criar o gráfico de barras.

Referência
JATOBÁ, Paulo César. As Ferramentas da qualidade - Aprendendo a aplicar para solucionar problemas: BANAS, 2004. Disponível em <www.banasqualidade.com.br>. Acesso em 12/08/2013 as 09:40.

KANAMURA, Alberto Hideki; NETO, Gonzalo Vecina; ARAKI, Paulinho Shiguer; MALIK, Ana Maria. Manual do Programa de Gestão da Qualidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo: 2002. Disponível em < http://portalses.saude.sc.gov.br/arquivos/sala_de_leitura/saude_e_cidadania/ed_03/pdf/07_01.pdf >. Acesso em 09/07/2013 as 07:35.

MARTINS, Rosemary. Histograma: Blog da Qualidade, 2012. Disponível em < http://www.blogdaqualidade.com.br/histograma/ >. Acesso em 18/09/2013, 12:35.